O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, acusou o Irã pelo ataque a duas instalações da principal companhia petrolífera da Arábia Saudita, dizendo que não há evidências de que eles partiram do Iêmen. O Irã nega acusações e acusou os Estados Unidos de buscarem um pretexto para retaliar o país.
Os rebeldes iemenitas houthis, que são apoiados pelo Irã no conflito que acontece no Iêmen, disseram ter enviado dez drones para atacar as instalações, o que provocou incêndios de grandes proporções e derrubaram pela metade produção de petróleo e gás no país.
"No meio de convocações para reduzir a tensão, o Irã lançou um ataque sem precedentes contra o fornecimento de energia do mundo. Não há evidências de que os ataques tenham partido do Iêmen”, afirmou Pompeo no sábado no Twitter.
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Depois das acusações feitas pelo americano, Teerã acusou os Estados Unidos de buscarem um pretexto para retaliar o Irã.
"Tais acusações e comentários infrutíferos e cegos são incompreensíveis e sem sentido. Tais comentários parecem mais conspirações de organizações secretas e de inteligência para prejudicar a reputação de um país e criar um quadro para ações futuras", afirmou o porta-voz do Ministério do Exterior iraniano, Abbas Mousavi, em comunicado.
A relação entre os Estados Unidos e o Irã se deteriorou em maio, após o presidente Donald Trump ter retirado os EUA do acordo nuclear assinado em 2015 pelos dois países, com participação ainda da Rússia, da China, do Reino Unido, da França e da Alemanha. Desde então, os americanos adotaram sanções que estão prejudicando a economia iraniana.
"Os americanos adotaram uma política de pressão máxima que aparentemente se tornou uma mentira máxima devido aos seus fracassos", ressaltou ainda Mousavi.
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Incêndio atingiu instalações da petroleira Aramco em Abqaiq, na Arábia Saudita, neste sábado (14) — Foto: Reuters
Imagens divulgadas pela imprensa internacional mostraram um grande incêndio em Abqaiq, onde fica a maior fábrica de processamento de petróleo do mundo, enquanto um segundo ataque de drones iniciou incêndios no campo de petróleo de Khurais. Ambos operados pela gigante estatal saudita Aramco. A fumaça foi vista do espaço.
Os ataques levaram a Arábia Saudita anunciar uma redução da produção da principal companhia petrolífera do mundo em 50%. Quase 20 horas depois do bombardeio, o novo ministro de Energia saudita, o príncipe Abdulaziz bin Salman, filho do rei, afirmou que a Aramco diminuiu a produção em cerca de 5,7 milhões de barris.
Nos últimos meses, rebeldes realizaram uma série de bombardeios fronteiriços com mísseis e drones contra bases aéreas sauditas e outras instalações no país. A ONU e países ocidentais acusam Teerã de fornecer armas ao grupo, algo que o governo iraniano nega.
Os bombardeiros são uma reação aos ataques aéreos conduzidos pela Arábia Saudita, que apoia o governo iemenita liderado por Abd-Rabu Mansour Hadi, em regiões controladas por rebeldes no Iêmen.
Desde março de 2015, os sauditas lideram uma coalizão contra os houthis, que detêm, entre outros, a capital do país, Sanaa. O conflito já deixou mais 90 mil mortos e gerou a pior catástrofe humanitária do mundo, deixando milhões à beira da fome.
G1
