O marido da mulher apontada como dona do catamarã que afundou neste sábado (27) em Maragogi, Alagoas, disse que a embarcação havia sido vendida há dois anos para o irmão do ex-prefeito Marcos Madeira. A transação, no entanto, nunca chegou a ser oficializada junto à Capitania dos Portos. O acidente deixou duas turistas do Ceará mortas.
A reportagem tentou contato com o ex-prefeito por telefone no início da noite, para confirmar se a transação foi feita, mas as ligações não foram atendidas. A assessoria da Capitania dos Portos de Alagoas também foi procurada, e disse que enviaria uma nota.
Documentos encaminhados à reportagem pela Prefeitura de Maragogi mostram que o catamarã está no nome de Simone Valéria Furtado Leite. Ela, inclusive, foi notificada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente pela realização de passeios turísticos sem autorização. O último auto de infração, inclusive, foi expedido há 11 dias.
Ricardo Leite, marido de Simone, contou ao G1 que o casal tinha um receptivo. Em 2017, no entanto, venderam o catamarã.
“A embarcação foi vendida em 2017 para o irmão do ex-prefeito, de nome Marconi. Eu negociei com eles, e foi feito um documento de transferência em cartório. Isso porque na época ele estava sob júdice, pois a Prefeitura queria cassar o alvará do catamarã dele [do ex-prefeito]. Ele me disse, ‘deixa eu resolver esse problema na Justiça que a gente transfere na Marinha”, relata Leite.
Ainda segundo ele, essa transferência nunca aconteceu. “Faz dois anos que o receptivo da minha esposa está fechado e, para todos efeitos, para a Marinha, o barco ainda pertence à ela. O catamarã estava ‘trabalhando’ em um restaurante chamado Maragalés, que pertence ao filho do ex-prefeito e ao pessoal dele lá”.
Leite também falou sobre a notificação mais recente emitida pela Prefeitura para sua esposa. Ele afirma que entrou em contato com Madeira, que se comprometeu a resolver a pendência. “Foi feita uma notificação há 11 dias. Não recebi porque não estamos em Maragogi. Liguei para o Marcos [Madeira] e ele me disse que mandou o advogado falar com a promotora”.
O marido de Simone, no entanto, garante que o barco estava legalizado junto à Marinha. Não podia ir para as piscinas naturais, mas estava liberado a ir para outros locais.
O passeio foi vendido ao grupo de turistas pelo vereador por Maragogi, Wanderson Luna. O advogado dele, Jeimison Lyra, disse ao G1 que o cliente já trabalha com passeios turísticos há 3 anos, e que não sabia que o barco não estava autorizado a realizar aquele tipo de passeio.
Ainda segundo Lyra, o vereador conferiu que a embarcação possuía coletes salva-vidas para todos os passageiros, e estava com a capacidade adequada de pessoas.
