DELAÇÃO: Vereador de Conde entrega todos os envolvidos em corrupção no Municipio

O vereador Fernando Boca Louca (Avante), do Conde, na Região Metropolitana de João Pessoa, decidiu abrir o bico em depoimento prestado na Delegacia de Combate ao Crime Organizado da Capital. Ele apontou casos de corrupção no município metropolitano envolvendo os colegas vereadores, membros do Executivo e do Judiciário. Tudo com riqueza de detalhes. Boca Louca ficou conhecido em todo o Estado mês passado após reportagem da TV Cabo Branco mostrar que ele empregava servidores fantasmas, na Câmara Municipal, e se apropriava de até 90% dos salários. Alguns relatos mostram que toda a remuneração chegou a ser apropriada.

O vereador é acusado de empregar assessores fantasmas na Câmara Municipal e de se apropriar da maior parte destes recursos. A denúncia foi protocolada inicialmente por gestores do Bolsa Família. Eles constataram que a servidora Maria Alice Gomes recebia o benefício indevidamente, porque era servidora do Legislativo. Ao abordá-la, a mulher confessou que entregava 90% do salário ao vereador. Ficava apenas com R$ 100. Pressionada, ela detalhou o esquema. O caso, então, foi levado ao conhecimento do delegado Allan Murilo Terruel, que passou a ouvir outras testemunhas e o próprio vereador.

De acordo com informações de bastidores obtidas pelo blog, Boca Louca ampliou o leque de informações nos depoimentos, na intenção de formalizar uma delação premiada. Deu detalhes sobre licitações fraudadas, esquema de pagamentos a autoridades do Executivo a partir de 2013, quando foi empossado na Câmara. A prefeita da cidade, na época, era Tatiana Lundgren. Ela chegou a ser presa ano passado em operação coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Casos de grilagem, envolvendo agentes públicos, também entraram na lista.

Não parou por aí. Os esquemas de corrupção envolvendo vereadores também foram citados, com detalhes e muitos nomes. O famoso rachadinho, o pagamento de “pedágio” por servidores da Câmara ao vereador titular do mandato foi dos fatos mais leves revelados. Sobrou até para membros da Justiça, que foram acusados de envolvimento nos esquemas. Enquanto colaborador das investigações, ele precisa apresentar provas e caminhos para as investigações. As informações de bastidores dão conta de que isso, efetivamente, tem acontecido.

Jornal da Paraíba

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